Reconcilie com sua alma.

No fundo da nossa alma, esse é nosso maior desejo. O desejo de reconciliação.

Não há nada mais doloroso do que seguir brigando com a nossa história. Não há nada mais doloroso do que a exclusão do nosso sistema familiar. Não há nada que nos enfraquece mais, do que sustentar essa briga.        

E reconciliação não significa necessariamente uma convivência ou aproximação. Ela acontece em outro nível. A verdadeira reconciliação precisa acontecer dentro de nós.

Essa reconciliação diz respeito a acolher a nossa história. A compreender que não poderia ter sido diferente. A cuidar das dores e compreender que nossos pais também carregam crianças machucadas. Essa reconciliação libera nossos pais e também nos libera.

Porque eles não são culpados, mas são responsáveis por suas escolhas, por aquilo que puderam e não puderam dar. E deixamos com eles a responsabilidade pelos seus atos e omissões.     
Não se trata de santificá-los, mas de não precisar crucificá-los.     

Nesse movimento de aprender a cuidar da nossa criança, é essencial começarmos a reconhecer o que dói, as feridas. Reconhecer as sensações/sentimentos que se repetem nas relações (sentimento de rejeição, carência, medo do abandono, sentimentos de pouca importância ou invisibilidade, sensação de incapacidade, ou outros). É essencial ligar o auto observador para começar a perceber aquilo que projetamos no outro e as máscaras que utilizamos para fugir da dor. E nesse processo, aprender a acolher nossos sentimentos, as nossas dores. Aprender a validar, porque TODA DOR É LEGÍTIMA. Aprender a diferenciar dor de drama. Na dor, nos acolhemos, olhamos para dentro. No drama, acusamos, olhamos para fora.

E acolher nada mais é do que parar de nos julgar pelo que sentimos. Parar de nos envergonhar dos medos e dores que sentimos. Aprender a nos dar colo, a nos abraçar. Aprender a nos afastar para não ferir quem amamos. Aprender a colocar limites para não nos machucarmos ainda mais. Aprender a fazer aquilo que faz sentido pra nós, mesmo que não faça sentido para aqueles que amamos.
Enfim… Cuidar da criança interior é também cuidar do adulto que somos hoje. Aqui e agora.

Podemos escolher seguir olhando para o que faltou. Podemos seguir olhando para o que nos machucou e para todos os motivos que temos para justificar as nossas dores. Essa é uma possibilidade. Ou podemos enxergar o muito que já recebemos. Podemos reconhecer que já temos o suficiente. Podemos compreender que a vida nem sempre dá o que queremos, mas ela sempre traz aquilo que precisamos.

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